A minha tendência para “espírito de contradição” vem desde o berço. Para começar, nasci no dia 31 de Dezembro de 1967. Ou seja, estraguei a passagem de ano aos meus pais. O meu primeiro reveillon foi na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, a celebrar a entrada no novo ano de 1968 a berrar, com outros bebés. Neste aspecto as coisas não mudaram muito até hoje. Ah, é verdade, e nasci com os pés primeiro, só para enganar a parteira, que esperava ver a minha careca.
Depois fui crescendo, entrei na escola primária e nisto vem o 25 de Abril de 1974. Ora eu que queria ver os desenhos animados no televisor a preto-e-branco, no curto espaço de tempo em que dava alguma coisa na TV, começam a aparecer-me gajos fardados a discursar, uma coisa que eu interpretei como castigo por ser do contra. Mas não. Afinal os do contra é que se revoltaram. Fiquei todo contente, claro. Afinal ser do contra teve a sua compensação.
Quem não gostou muito foi a minha professora da terceira classe. Farto de levar estaladas e reguadas, afixei um cartaz à porta da escola a proibir os castigos corporais aos alunos. Apanhei aqui a minha primeira desilusão: os colegas estavam todos do meu lado, mas quando a professora fez cara de má, fugiram e deixaram-me sozinho.
Mais tarde, quando todos os meus amigos ainda andavam de bicicleta, eu comprei um carro. Assim já tínhamos transporte para irmos às festas. Ou melhor, eu tinha, eles iam à boleia. A coisa funcionava mais ou menos do seguinte modo: Eu é que tinha carro, portanto, podia escolher quem levava comigo. Cada pendura pagava a respectiva taxa para a gasolina e ainda podia vir a ser contemplado com a fantástica oportunidade única de ter de empurrar a viatura caso a mesma ficasse empanada. Imperdível!
Dava-me gozo ir contra as modas. O meu pai é ferrenho benfiquista, eu sou do Sporting. Quando todos os meus amigos diziam que só casavam aos 30, eu, só para contrariar, casei-me aos 24 (toma, vai buscar!).
Já profissionalmente fui mesmo “espírito de contradição”. Em pequeno todos queriam ser bombeiros, toureiros, médicos, engenheiros e professores. Eu queria ser mergulhador! Quando chegou o momento de ter mesmo de escolher, a minha mãe insistia para eu ser professor. Mas eu fui para jornalista. E também não entrei na universidade. Por causa das tosses. Ai querem mandar em mim, então faço o que me apetece. Um dia, no entanto, voltei a estudar. A malta perguntava-me que curso eu tinha tirado, “certamente, como és jornalista, foste para Jornalismo, não?”. Errado! Fiz Antropologia, no ISCTE (toma e embrulha!).
Caro colega… este blogue é a sua “fronha”, desculpe… “cara”!
Venham mais post!! Isto promete, hehehe!
[...] Sobre mim [...]
Jaquinzinho,(…..) amigo, parabéns pelo blogue!!
Grande Antropólogo este, façam atenção!!!
Grande abraço.
Não me digas que também estiveste nas Caldas da Rainha, em 1986… Martingança à boleia? Remember?!
Claro que lembro, camarada. Fomos ver o concerto dos Trovante, perdemos o comboio e fomos à boleia até às Caldas. Quer dizer, só conseguimos ir até Pataias, depois dormimos o resto da noite no apeadeiro à espera que passasse o primeiro comboio. Creio que ia também o Rui Isidro e o Clemente. Um abraço para ti e ainda bem que te encontro por cá. Quem é vivo sempre aparece (e dizem que quem é morto também, mas só para quem acredita em espíritos).
tenho de ver isto com calma….
…um abraço companheiro….
Ola Quim , ta ,muito giro seu blog….Parabêns!!! abraço
bem vindo ao clube!!!não deve haver um espirito de contradição como eu!!!entrei no seu site sem querer confesso. Eu estava à procura de saber porque é que nós temos esse defeito???lol..tenho 37 anos e parece que ainda não aprendi a lição!! hade ir com o tempo.
cumprimentos.
Dina