É costume ouvirmos comentários de economistas sobre a actualidade financeira e política em Portugal e no mundo. São especialistas de uma ciência social, não tanto de uma ciência exacta. Daí que seja normal as opiniões divergirem, mesmo quando se trata de números, do défice, do PIB, da inflacção, das taxas de juro, das taxas de crescimento, etc.
Ontem, no Prós e Contras da RTP1 assisti a algo que me arrepiou. Vários economistas opinaram sobre a economia portuguesa, o futuro, o presente, as preocupações, as dificuldades e aquilo que é necessário fazer para evitar que o país entre em colapso financeiro. Debitaram vários números, dos reais aos supostos, aos que são precisos. Todos estavam de acordo. Viu-se um Medina Carreira, crónico crítico sem papas na língua dos governantes e dos políticos e do estado caótico em que está Portugal. E, incrivelmente, foi acompanhado por todos os outros, uns mais acutilantes que outros, mas foi unânime a opinião da situação paupérrima em que estão as finanças públicas nacionais e com poucas perspectivas de recuperação a curto prazo.
Ontem não houve prós, só contras. Todos de acordo com o “buraco” em que se meteu o país. O ministro das Finanças já divulgou números pessimistas, criticado pela oposição por não revelar esses números antes das eleições. Um primeiro-ministro que já confessou que este estado das coisas foi propositado, para salvar o país da crise.
E os economistas todos de acordo nas mais pessimistas perspectivas para Portugal. E quando há consenso entre os economistas… é mesmo para ficarmos preocupados.
